quarta-feira, março 14, 2007

Super Reservas tranqüilidade no futuro – um alerta geral

Lendo recentemente um artigo sobre a vida de Executivo de Renato Bernhoeft e que respeitosamente, publico aqui com os devidos créditos, tive a vontade de escrever sobre as Super Reservas há muito reportadas por William Blake poeta inglês que teve seus provérbios rotulados como os Provérbios do Inferno pela Igreja, talvez por esclarecer o povo em situações que não fossem de interesse da Igreja à época.
William Blake citou um dia: “Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente”.
E assim foi que comecei a pensar sobre como podemos nos preparar para um futuro mais equilibrado num país incerto como o nosso, onde regras e contratos são quebrados a qualquer momento, por uma simples vontade política?
Acho que há muito que podemos fazer por nós mesmos, e aí chega a hora de refletirmos sobre o artigo do Renato Bernhoeft - Vida de Executivo -

“Vida de Executivo
Renato Bernhoeft
07/02/2007
Grande parte dos executivos brasileiros que recebem "benefícios" durante a carreira descuida-se de fazer reservas para quando os mesmos terminarem. Carro, viagens ao exterior, bons restaurantes, planos de assistência médica, acesso a salas VIP, freqüência a clubes, facilidades para resolver questões particulares e tantas outras "mordomias" oferecidas pelas empresas são incorporadas com facilidade pelos executivos. Esquecem apenas que tudo isso é transitório e tem um alto custo que é bancado pelas organizações que esperam um retorno com dedicação e produtividade no trabalho.

A descoberta, muitas vezes tardia, dessa situação só é percebida quando o executivo fica desempregado ou se aposenta. Vinte anos coordenando programas de "Pós-carreira - preparação do executivo para a aposentadoria" permitiram verificar que muitos executivos quando chegam a esta fase da vida não perdem apenas sua identidade organizacional, mas também todos os símbolos que representavam status na família e comunidade. E mais grave ainda, sem uma reserva patrimonial que lhe permita manter o padrão de vida.

Este fenômeno tem se tornado mais sério com o chamado "colarinho branco" -profissionais da classe média que perderam boa parte do seu poder aquisitivo nos últimos anos. Conduta diferente da que tem sido adotada pelo chamado "colarinho azul".

Muitos profissionais preocupam-se durante sua vida ativa em manter as aparências não possuindo nem mesmo casa própria. Pagam aluguel, freqüentam ambientes sofisticados e caros, eventualmente possuem casa na praia ou campo - com baixa liquidez - e mantém um círculo de amigos estritamente ligado ao mundo do trabalho ou empresa. Abominam qualquer participação associativa ou comunitária mantendo uma conduta individualista em relação ao mundo que os cerca.

Já o chamado "colarinho azul" é mais solidário, participa da comunidade e realiza outras atividades até como forma de aumentar a renda. Seja por necessidade ou fenômeno sociológico, ele cria comportamentos de ajuda mútua característicos de pessoas com vida mais simples. Portanto aqui vão algumas recomendações básicas para executivos que estão em fase de ascensão profissional ou iniciando sua carreira:

Planeje, de forma integrada, sua vida e carreira: Ao planejar seu futuro considere questões de ordem pessoal familiar, conjugal, financeira, trabalho, renda, reserva financeira, patrimônio, etc. O mundo, do trabalho não é tudo na vida. Cuidado para não manter um círculo de relações estritamente ligado à vida profissional.

Atividades paralelas: Caso você tenha uma forte dependência ou até dedique
muita importância à sua "identidade organizacional", ou seja, você se orgulha muito em dizer aos outros que é fulano de tal, da empresa tal, pense bem se não necessita criar alguma outra identidade como forma de reduzir sua vulnerabilidade pessoal e profissional. Que tal tornar-se professor, palestrante, consultor, líder comunitário, empreendedor de um pequeno negócio, etc? Quando lhe faltar o cartão de visita da empresa você terá outro para apresentar no seu círculo de relações?
Saúde física e financeira: Amplie a preocupação em "malhar" muito além do desejo de ficar saudável aos olhos dos outros. Preocupe-se também com a saúde de forma integral - interna e externamente - para sentir-se melhor com você mesmo e não apenas quando lhe dizem que "você está muito bem".
Crie reserva financeira de forma diversificada e que atenda sua perspectiva e prioridades de vida. Não se deixe levar apenas por orientações de curto prazo que visam ganhos imediatos. O estilo de vida que você pretende levar no futuro deve ser considerado para saber quanto de patrimônio, de reserva financeira e de fontes de renda você deverá ter no futuro.

Independência familiar: Muito cuidado em criar filhos dependentes cujo custo você poderá não ter condições de manter no futuro. Atualmente, o conforto da casa dos pais aliado ao desemprego está mantendo muitos jovens entre os 30 e 35 anos na confortável e perigosa situação de filhos sem assumir responsabilidades como cidadão ou até pela sua sobrevivência. Muitos executivos temem aposentar-se porque descuidaram do processo educacional dos seus filhos para a vida. Os prepararam para serem apenas filhos.

Interesse pela vida: Procure manter gosto e sentido pela vida. Preocupe-se com a sua individualidade e tudo aquilo que possa fazer parte da "sua comunidade". Cultive amigos, interesses e não imagine que a vida será só sucesso, facilidade ou alegria. Haverá momentos tristes, depressivos, de perdas. Cultive também a capacidade de enfrentar adversidades como forma decrescer. Enfim, estas pequenas e simples recomendações não esgotam o assunto. São apenas lembretes para reflexão e ação. Tudo o mais vai depender de você. ”

Assim, as Super Reservas encaixam-se perfeitamente neste alerta.

Por exemplo, no artigo quando o autor cita a importância das Atividades Paralelas, resgato uma das minhas primeiras lições aprendidas no convívio de muitos anos com a comunidade Nikkei no Brasil e também com executivos no Japão. No Japão não existe uma carteira de Identidade como conhecemos no Brasil, passaporte só tem quem realmente viaja ou viajou, não há título de eleitor, portanto, ao longo do tempo o cartão de visitas assumiu este papel de identificação do indivíduo extremamente ligado à imagem corporativa, causando problemas de auto-estima nos executivos em fase de aposentadoria que contribui até para que o índice de suicídio no Japão seja elevado.

Quanto à saúde Financeira, quanto mais nos anteciparmos para um planejamento financeiro que nos permitirá complementar o plano de aposentadoria do Governo com os riscos já citados aqui de mudanças de regras, tanto melhor. O planejamento financeiro passa por um processo criterioso, que vai desde a escolha de um consultor financeiro, credenciado e certificado, até a definição da renda futura que se pretende ter. Quantos de nossos amigos, já chegaram na fase de pindurar o terno e os colarinhos engomados, sem estarem preparados?
E como fica a atividade mental nesta fase? Também se aposenta, coloca os pijamas e espera a vida passar?
A super reserva de conhecimento para podermos passá-los para os mais jovens, talves seja a grande resposta para a vida equilibrada com atividades físicas, prazeirosas e também a atividade mental.
Manter a mente ocupada com coisas boas e que possam de alguma forma ajudar a comunidade ou as pessoas que nos cercam é o desejo que tenho para mim, meus familiares e todos aqueles me são caros.
Fica aqui minha reflexão. Eu já iniciei o caminho de preparação na busca das super reservas, e você que eventualmente está lendo meu blog?
Pense nisso!

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